Avaliação neurocognitiva no abuso e depêndencia do álcool: Implicações para o tratamento* Neurocognitive assessment in Alcohol abuse and dependence: implications for treatment

Sexta, 27 Dezembro 2013 15:37

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Avaliação neurocognitiva no abuso e depêndencia do álcool: Implicações para o tratamento*
Neurocognitive assessment in Alcohol  abuse  and  dependence: implications for treatment

Autores: Paulo J. Cunha1; Maria Alice Novaes2

A Neuropsicologia aplicada ao abuso e dependência do álcool busca a compreensão da relação entre danos cerebrais, seus efeitos na cognição e no comportamento do indivíduo; estuda ainda os comprometimentos neurocognitivos dos pacientes, relacionando-os a achados estruturais e funcionais de neuroimagem. No uso agudo, o álcool tende a comprometer a atenção, memória, funções executivas e viso-espaciais, enquanto que no uso crônico, altera a memória, aprendizagem, análise e síntese viso-espacial, velocidade psicomotora, funções executivas e tomada de decisões, podendo chegar a transtornos persistentes de memória e demência alcoólica. Os déficits cognitivos encontrados nos dependentes de álcool, principalmente das funções executivas (frontais), têm implicação direta no tratamento, tanto para a escolha de estratégias a serem adotadas como para a análise do prognóstico. Acredita-se que a Avaliação Neuropsicológica pode ser um instrumento muito importante para a detecção e avaliação da progressão destas alterações, e que a Reabilitação Cognitiva tem papel relevante na recuperação dos déficits e reinserção psicossocial destes pacientes.
Descritores: álcool, abuso de substâncias, avaliação neurocognitiva, tratamento, testes neuropsicológicos.
O uso do álcool está cada vez mais prevalente em nossa sociedade e permanece associado a inúmeros problemas sociais, econômicos e de saúde. Considerando que o álcool é uma substância neurotóxica, é comum a ocorrência, nos pacientes, de problemas cerebrais, que têm sido comprovados através das técnicas de neuroimagem,1,2,3 não apenas nos primeiros dias de abstinência, mas também meses depois do último uso da substância.1
A Neuropsicologia, por sua vez, é uma subárea das Neurociências, exercida por psicólogos, que busca a compreensão da relação entre os danos cerebrais e efeitos na cognição e comportamento dos indivíduos.4 Na área de abuso de álcool, tem o compromisso de descrever as alterações cognitivas, comportamentais e emocionais, bem como a qualidade do funcionamento mental, realizar a análise de potenciais, prever o curso da recuperação e estimar o funcionamento pré-mórbido (anterior) dos usuários da substância.5,6 É ainda do âmbito da Neuropsicologia a realização de atividades que visem à recuperação ou amenização dos déficits neurocognitivos encontrados nos pacientes, processo conhecido como Reabilitação Cognitiva.

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