Da cervejinha com os amigos à dependência de álcool: uma síntese do que sabemos sobre esse percurso From one beer with friends to alcohol dependence: a synthesis about our knowledge of this path

Sexta, 27 Dezembro 2013 15:25

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Da cervejinha com os amigos à dependência de álcool: uma síntese do que sabemos sobre esse percurso
From one beer with friends to alcohol dependence: a synthesis about our knowledge of this path

Sérgio de Paula Ramos, Doutor em Psiquiatria
Arnaldo Broll Woitowitz, Consultor em dependência química

Se for considerada a abstinência de álcool como único parâmetro de avaliação da eficácia dos tratamentos para alcoolistas, a conclusão é que estes não melhoraram nos últimos 25 anos. De fato, as taxas de abstinência, em seguimentos bem controlados de 1 ano, insistem em permanecer abaixo de 20%1,2. Esta modesta taxa de sucesso, per se, justifica o continuado esforço para melhor compreender a síndrome de dependência do álcool, sua história natural, bem como a etiologia desses transtornos.
No mundo ocidental é fato que cerca de 90% da população adulta consome algum tipo de bebida alcoólica. Também é fato que entre os bebedores 10% irá apresentar um uso nocivo de álcool e outros 10% se tornará dependente, o que vale dizer que em cada 5 bebedores 1 terá um agravo de saúde por ingerir bebida alcoólica3. Os estudos etiológicos tentam discriminar o que este bebedor tem de diferente dos demais, pois enquanto aqueles têm apenas prazer com o consumo de bebidas alcoólicas, às quais, inclusive, podem lhes prover um certo efeito protetor de inúmeras afecções clínicas, este se torna, com o tempo, portador de uma das enfermidades mais desgastante do ponto de vista da saúde, tanto sua quanto de sua família.
No entanto, enquanto os estudos etiológicos não nos alimentam de ferramentas terapêuticas que ampliem nossa eficácia, o exame do percurso feito por algumas pessoas do beber moderado à dependência de álcool, pode cumprir esse papel. Por isso, o objetivo da presente revisão será fazer uma síntese do conhecimento atual sobre a história natural que por vezes leva o bebedor moderado à dependência do álcool, bem como suas principais implicações terapêuticas. Jellinek, Cahalan, Edwards, Miller, Babor, mas principalmente Vaillant, autor de 3 dos mais consistentes trabalhos sobre o tema serão os autores enfatizados.

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