Epidemologia do uso de álcool no Brasil Epidemiology of alcohol use in Brazil

Sexta, 27 Dezembro 2013 15:22

Acesse: Epidemio.pdf

Epidemologia do uso de álcool no Brasil
Epidemiology of alcohol use in Brazil

José Carlos F. Galduróz* e Raul Caetano**


Os autores descrevem os trabalhos epidemiológicos sobre o álcool, mais recentes e significativos, conduzidos no Brasil nos últimos anos.
A epidemiologia é "o estudo da distribuição dos estados ou acontecimentos relacionados à saúde de uma dada população" (1). Na questão específica do álcool, a epidemiologia diz respeito ao estudo do número de casos de usuários e/ou dependentes, além de problemas relacionados ao seu uso. Este artigo traça o panorama geral sobre o álcool e o alcoolismo, no Brasil, abrangendo as seguintes areas: Levantamentos da populacao geral, entre estudantes, meninos de rua e indicadores estatísticos.
I. A - Os Levantamentos Populacionais Gerais
Os estudos epidemiológicos mais abrangentes de uso de álcool na população geral foram os realizados pelo CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Galduróz et al. (2000) [2] pesquisaram as 24 maiores cidades do Estado de São Paulo, num total de 2.411 entrevistas estimando que 6,6% da população estavam dependentes do álcool. Dois anos depois, a mesma população foi pesquisada novamente e constatou-se um aumento estatisticamente significativo para 9,4% de dependentes (3). Outro amplo estudo domiciliar englobou as 107 cidades com mais de 200 mil habitantes correspondendo a 47.045.907 habitantes, ou seja, 27,7% do total do Brasil. A amostra totalizou 8.589 entrevistados (4). Os principais resultados sobre o álcool podem ser vistos nas Tabelas 1 e 2. O uso na vida de álcool na populacao total foi de 68,7%,. Essa proporçao se mantém mais ou menos estável para as diferentes faixas etárias, lembrando que entre os 12-17 anos, 48,3% dos entrevistado já usaram bebidas alcoólicas.
A prevalencia da dependência de álcool foi de 11,2%, sendo de 17,1% para o sexo masculino e 5,7% para o feminino. A prevalência de dependentes foi mais alta nas regiões Norte e Nordeste, com porcentagens acima dos 16%. Fato mais preocupante é a constatação de
que no Brasil houve 5,2% de adolescentes (12 a 17 anos de idade) dependentes do álcool. No Norte e Nordeste essas porcentagens ficaram próximas aos 9%.

Ler 1847 vezes