Sr. Miguel Tortorelli explica detalhes do Programa Mães da Luz

Terça, 24 Julho 2018 15:05

Quando formei o time para atuarmos nesse Programa, trouxe comigo pessoas que acreditam na essência do ser humano e no compromisso maior de que fazer o bem pelo outro é a regra maior de nosso trabalho. “Sr. Miguel Tortorelli”

*Por Adriana Moraes

Como é gratificante falar de programas que fazem a diferença e que mudam a vida das pessoas! O programa Mães da Luz coordenado pela  SMDHC (Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania), completou seu 1º ano de trabalho. O programa foi criado com o objetivo de acolher, informar e orientar os familiares de dependentes químicos, em especial, usuários da cracolândia, sobre os problemas relacionados ao uso de substâncias e a dependência química.

As drogas têm se tornado presentes em muitos lares. Segundo os dados da Pesquisa do LENAD Família (Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos), pelo menos 28 milhões de pessoas vivem no país com um dependente químico. A dependência química tem um efeito perturbador e prejudicial sobre a vida dos familiares. Muitas vezes os familiares sequer conhecem os problemas causados pelo uso das drogas, não sabem como lidar com o dependente e muito menos com o grave problema que se instalou em sua residência.

Para sabermos detalhes sobre o Mães da Luz, tive o prazer de conversar com o coordenador do programa Sr. Miguel Tortorelli, querido e respeitado por todos.

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Acompanhe a entrevista:

1ª) Qual a importância do Programa Mães da Luz?

O Programa Mães da Luz foi criado pela Dra. Eloisa Arruda, no início de sua gestão da SMDHC, que vendo o aumento do consumo de álcool e drogas, percebeu que não apenas as pessoas que se submetiam a esta conduta, resultado da doença a que se acometiam, sofriam o reflexo da doença, mas levavam junto suas famílias, que na ignorância desconheciam caminhos a tomar. Entendendo da importância do acolhimento e orientação a ser oferecido a essas pessoas, considerou que tal programa deveria ser conduzido por pessoas que já tivessem enfrentado o problema e assim deu-se início o Programa Mães da Luz, onde todos os integrantes do grupo que o forma,  conduzem seu acolhimento e orientação, sem julgamento de valor, conhecendo os comportamentos codependentes que esses familiares possuem, e os ajuda a reeducar, e reequilibrar suas vidas de forma a tomar atitudes que apoiem o seu familiar que enfrenta a doença, a encontrar a sobriedade.

2ª) Por gentileza, faça um resumo desse 1º ano de trabalho, falando sobre ajuda para as mães, dificuldades encontradas, preconceitos, alegrias e outros.

No início tivemos dificuldade para que, não apenas os familiares, mas também os pares da gestão pública, entendessem qual o papel que estávamos prontos a desempenhar. Muitos nos olhavam apenas como mais um grupo que quer internar outra pessoa, mas o nosso verdadeiro papel era o de ouvir, a escuta é importante, e então baseado nas nossas experiências orientar, e até, em muitos casos, sugerir caminhos que conduzissem tanto a família, quanto o familiar no uso e abuso de droga, para apoios como Grupos de Apoio (Anônimos ou Não), Orientação Jurídica, e até a condução ao Setor de Saúde, que poderia promover a internação. Sofremos o preconceito natural de quem entra num processo continuo porem atuamos de forma distinta na sua humanização, pois já passamos pela experiência da dependência química. A alegria reside no fato de que muitos gestores públicos já entendem nosso maior objetivo, e ainda a grande alegria em verificar que inúmeros daqueles que passaram por nossa Coordenação hoje se encontram na busca de sua sobriedade. Em verdade, ao termino desses 12 meses promovemos 8813 atendimentos que agregaram valor na vida de cada pessoa que conosco compartilhou dessa experiência.

3ª) As mães e os familiares que procuram o programa são incentivados a participar de grupos de apoio, como funciona e qual seu objetivo principal do grupo?

Para que uma pessoa ajude a outra, ela precisa estar saudável. Esta é a máxima de qualquer situação de apoio a outrem. Se você quer que o seu familiar pare de usar drogas, você precisa, inicialmente, não estar tão doente quanto ele. Se uma pessoa usa uma droga que altera o seu padrão de comportamento, ela precisa orientação para que cesse o uso dessa droga. Muitas vezes ela se submete a internação, para reeducar seus hábitos, entendendo mais sobre o que acontece com seu corpo a medida que usa tal substância, e com isso apoiada pela orientação técnica, e por um grupo de pessoas que enfrentam a mesma situação, ela buscará a sobriedade. As famílias não usam a droga, mas transformam o seu familiar na sua “droga”, e a partir desse momento alteram o seu padrão de comportamento, atingindo a condição de doente, no que chamamos Codependência. Na tentativa de controlar e decidir o rumo do outro, perdem o rumo de sua própria vida, e claro a do outro também, por isso exigimos que todos os familiares que acessam nosso serviço participem de Grupos de Apoio (Anônimos ou Não) para que possam rever seus comportamentos e encontrar caminhos que os ajude a atingir uma sobriedade suficiente para apoiar o seu familiar no mesmo caminho.

4ª) O que dizer sobre o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, em especial da Dra. Eloisa Arruda?

O apoio incondicional de nossa secretária Dra. Eloisa Arruda é fundamental, pois para que nos sintamos, e nos mantenhamos fortes, e comprometidos, precisamos sentir que nossa liderança também possui o mesmo propósito. Quando formei o time para atuarmos nesse Programa, trouxe comigo pessoas que acreditam na essência do ser humano, e no compromisso maior de que fazer o bem pelo outro é a regra maior de nosso trabalho. Fazer o bem pelo outro é atuar com senso de compromisso e justiça, e isso nós temos na Dra. Eloisa Arruda. Sempre presente, sempre motivada e nos motivando a dar um passo à frente. A promover uma cultura de reeducação nos costumes que interferem a tantas famílias a buscarem a sua sobriedade.

5ª) A equipe do programa está sempre motivada e todos falam do trabalho com emoção, qual o segredo para mantê-los motivados?

Por existir, na história de vida de cada um dos integrantes, o enfrentamento da dificuldade, e dos males da dependência química (como se diz “sentir na pele”), todos se dedicam de corpo e alma para auxiliar àquelas pessoas que precisam, e procuram o Programa Mães da Luz. Essa experiência pessoal moldou cada um a entender que a melhor forma de tratar essas pessoas, sejam os próprios dependentes, ou suas famílias, é com amor, paciência e limites para aguardar o tempo de cada um. Um “amor que orienta, exige e educa”. Essa é uma das maiores lições de vida, que motiva a equipe a fazer o que faz. Alias essa máxima sobre o amor, é a base de orientação que os membros do Programa possuem, já que todos são oriundos do Amor-Exigente, um Programa de Qualidade de Vida, cujo objetivo maior é resgatar o equilíbrio familiar, reeducando seu comportamento.

6ª) Caso alguém tenha perdido contato com o seu familiar por causa do uso de drogas, o Mães da Luz conta com uma equipe que faz a busca nos bancos de dados de outras pastas municipais para auxiliar na localização. Como vem sendo realizado esse trabalho?

Possuímos um serviço de apoio a famílias que buscam seus familiares em zonas de risco, e que tem mostrado bom desempenho. Esse serviço está agregado a outros órgãos públicos – Saúde e Segurança Pública, que nos apoiam de forma e tem a sua base na nossa Secretaria com um Departamento de Localização de Desaparecidos.

Contato do Programa Mães da Luz:  https://www.facebook.com/maesdaluz/

Dra. Eloisa Arruda

Não posso deixar de parabenizar a digníssima secretária Dra. Eloisa Arruda por toda sua dedicação ao trabalho e aos programas, entre esses, com a Juventude, Igualdade Racial, com Centro de Referência e Atendimentos para Imigrantes, a Rede de Atendimento á Mulher, com a População Idosa, os Centros de Cidadania LGBTI, com a População em Situação de Rua e em especial com o Programa Mães da Luz!

Dra. Eloisa Arruda é um exemplo de profissional!

 Imagem José Simões

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(Adriana Moraes e Dra. Eloisa Arruda)

*Adriana Moraes - Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) - Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).   

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