De todos os erros que levam um ser humano dependente de álcool e de outras drogas a perpetuar seu cárcere emocional, nada é tão grande quanto o autoabandono. Um Eu que se autoabandona desistiu de si mesmo, não investe mais em seu potencial, sua vontade de mudar é frágil, débil, não suporta a primeira crise, dificuldade ou contrariedade.

Lembre-se, por favor, mais uma vez do que comentei: Se a sociedade o abandona, enfim, se o mundo o despreza, a solidão é difícil, mas tolerável, mas se você mesmo se abandona, desacreditará de si mesmo, não poderá crer que será capaz dirigir sua história, portanto, sua solidão será insuportável.

Devido às frequentes recaídas, muitos dependentes acham que são um caso sem solução, que estão condenados à miserabilidade, serão drogados, dependentes, viciados por toda a vida. Não entendem que se reeditarem a MUC (memória de uso contínuo, ou consciente), mesmo com uma ME (memória existencial, ou inconsciente) doentia, poderão viver dias felizes, saudáveis e livres. A grandeza de um ser humano não está nas suas recaídas, mas na capacidade do seu Eu de se levantar, de proclamar todos os dias que pode proteger sua mente e ser livre, apesar de todas as falhas, das promessas fracassadas, dos erros crassos. Você tem essa grandeza? Consegue se levantar depois do acidente?

Um Eu coitadista, que se acha vítima da dependência, das privações e dos traumas do passado, somado a um Eu conformista, que acha que não tem solução, que é um caso sem esperança, é acima de tudo um Eu frágil, autopunitivo, que se autoabandonou, que não tem um caso de amor consigo mesmo. Você tem um Eu coitadista? E um Eu conformista? Você é autopunitivo?

O coitadismo e o conformismo levam o Eu a não fazer uma mesa-redonda com seus fantasmas, com seus medos, com sua dependência. Sua vontade de se superar não tem consistência, não tem opinião própria. Muitos vivem recaindo, pensando que as drogas é que são culpadas, mas no fundo o erro está nas falhas do seu Eu. Seu Eu é um barco sem leme, um avião sem instrumentos de navegação. Que tal construir um leme e não soltá-lo mais de suas mãos?

“Com calma tudo se consegue”. Forçar não ajuda nosso programa; provoca mais pressão dentro de nós. Muitos seguimos esta filosofia: “Se não funciona, pegue um martelo maior”. É-nos concedida a oportunidade de resolver todas as nossas dificuldades; basta esperar por ela.

Às vezes dar dois passos para frente e um para trás é um modo melhor de superar uma dificuldade que fracassar no meio de nosso esforço e deixar tudo para trás. Nunca recebemos mais do que podemos aguentar, um dia por vez.

Aprendi a ter calma?

“Pai, sozinho não consigo nem me manter vivo, pois dependo de Ti até para respirar. Ajuda-me a perceber que, quanto maior minha dependência de Ti, mais eu aguento.”

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