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Anteprojeto de uma Intervenção Comunitária no Uso de Substâncias Psicoativas para a cidade de Paulínia

Introdução

Este anteprojeto iniciará a intervenção comunitária pelo uso do álcool, pois, de todas as substâncias psicoativas consumidas pela sociedade hoje, lícitas ou ilícitas, o consumo do álcool é o que acarreta o maior custo social.

Nesses últimos trezentos anos, todos os países desenvolvidos, onde a democracia prosperou, buscaram formas de proteger a sociedade aumentando o controle social da produção, importação, distribuição, propaganda e venda direta ao consumidor do álcool. Mesmo países como os EUA, que tem uma forte tradição de livre comércio, existe um rígido controle social com relação a esse produto. O grande argumento para esse controle especial é o custo social desse produto. Na última década as pesquisas mostraram que o álcool custa à sociedade americana cerca de U$ 148 bilhões ao ano. Os gastos com saúde consomem U$ 20 bilhões, com morte prematura U$ 32 bilhões, criminalidade U$ 20 bilhões. No entanto a grande perda é de produtividade das empresas com cerca de U$ 70 bilhões. O argumento do custo social faz com que o álcool seja considerado como um produto à parte e que não deveria ser comercializado de uma forma banal.


Existe um argumento liberal de que a oferta e a demanda do álcool deveria ser algo que o próprio mercado deveria regular e que no Brasil temos controle em demasia e não necessitaríamos de mais um controle sobre esse produto. Além disso, seria pouco democrático fazermos controle de um produto que é legalizado. No entanto são exatamente os países mais desenvolvidos do ponto de vista democrático que aumentam a cada dia o controle social sobre o álcool. Busca-se balancear o interesse da industria de bebidas com o interesse da sociedade em proteger-se dos danos causados pelo álcool.

No Brasil a vergonha de exercermos o controle social associado a uma grande apatia de política de saúde tem tornado o álcool um produto com um alto custo social. Pois sua demanda tem sido fortemente estimulada pela propaganda, pelos baixos preços e pela excessiva oferta nos pontos de venda. Especialmente a propaganda do álcool se apossou de vários ícones nacionais para criar a idéia de que só podemos nos divertir com um copo de cerveja na mão. Como não temos uma política de licença para a venda de álcool qualquer pessoa pode abrir um bar e vender álcool. Esse fato tem mudado a paisagem e a cultura urbana brasileira. Estamos acostumados a termos bares espalhados por todas as cidades, como se isso sempre tivesse existido, e fosse normal. A anormalidade chega a ponto de tragédia nas periferias das grandes cidades, onde a falta de opção de lazer transformou os bares nos únicos locais de encontro e socialização da população masculina. Contribuindo em muito para o aumento da violência. Em um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo no Jardim Ângela, uma das regiões mais violentas da cidade de São Paulo, mostrou que existia um bar para cada dez moradias. Revelando uma das maiores densidades de bares já registrada na literatura médica.

A anomalia chega a tal ponto que qualquer pessoa pode produzir e vender álcool sem grandes preocupações. As leis são poucas e não são cumpridas.


Justificativa

Essa falta de controle tem produzido um custo social enorme para o país. Cerca de 15% da população adulta masculina bebe de uma forma abusiva. Essa população vive com uma família que acaba sofrendo de várias formas, com cerca de 20% das moradias estão tendo ou já tiveram algum tipo de problema relacionados ao uso do álcool. Uma parte significativa das crianças abandonadas tem no álcool a causa da desorganização familiar. Metade dos acidentes automobilística é devida ao abuso de álcool. Mais da metade dos homicídios está relacionada ao consumo de álcool. Do ponto de vista da saúde 20% das internações em clínica geral e 50% das internações masculinas psiquiátricas são devida ao álcool. A sociedade brasileira está pagando um alto preço pela falta de proteção com relação ao álcool.

Extensivas pesquisas têm demonstrado que quanto mais elevado o consumo médio do álcool numa população, maior a incidência de problemas relacionados ao álcool. Isto vale para quase todos os tipos de problemas relacionados ao álcool - por exemplo, infrações de transito ao dirigir alcoolizado, violência domestica, agressões, crimes, mortalidade devida à cirrose hepática são situações que apresentam essa relação. Tal fato deu origem ao que se chama de "paradoxo da prevenção", porque, paradoxalmente, as medidas preventivas destinadas a reduzir tais problemas têm de ser dirigidas a toda a população de bebedores, e não apenas aos bebedores pesados.

Além disso, pesquisas também têm demonstrado que quando se reduz o consumo global de álcool em uma população, não apenas os bebedores moderados (ou "sociais", ou que tem um padrão "normal" de consumo de álcool) são atingidos, mas os bebedores pesados e os bebedores problemáticos também são sensíveis a essa redução de consumo.

Tais fatos - o primeiro, quanto mais elevado o consumo médio numa população, maior a incidência de problemas relacionados ao álcool, e o segundo, que os bebedores pesados também são sensíveis a medidas de redução global de consumo - conferem legitimidade a políticas que visam reduzir globalmente o consumo de álcool em uma sociedade.

Além da disponibilidade do álcool, a aceitação do seu consumo também desempenha um papel importante. Essa aceitação é determinada em grande medida por valores sociais e culturais. A cultura pode influenciar o padrão de consumo e o contexto em que o álcool é consumido, bem como a quantidade de álcool consumida. Atualmente, assiste-se a um grande aumento do consumo por parte da população adolescente, com conseqüente aumento dos danos relacionados ao álcool e o consumo do álcool não só é largamente aceito ente esta população, como também o beber excessivo é estimulado entre os adolescentes, antecipando muitos dos problemas relacionados ao álcool. Esta aceitação do consumo e a aceitação de um padrão de beber excessivo também devem ser contempladas com políticas eficazes em alterar os valores sociais e culturais.


Objetivo geral

Redução global do consumo de álcool em Paulínia.


Objetivos específicos

Redução dos problemas relacionados ao uso do álcool

• Violência doméstica
• Acidentes automobilísticos
• Mortes violentas
• Agressões
• Morbimortalidade relacionada ao álcool
• Intoxicações públicas
• Redução dos problemas em populações específicas (adolescentes, desempregados, idosos).



Diretrizes Básicas

Este anteprojeto definirá as diretrizes básicas relacionadas a um amplo espectro de políticas que deveriam ser adotadas em relação ao álcool para que os objetivos supramencionados sejam alcançados. Tais políticas incluem: prevenção, educação, sugestão de medidas legislativas, aplicação e fiscalização mais rigorosa de leis já existentes, treinamento da equipe de saúde mental envolvida no tratamento de problemas relacionados ao álcool, treinamento das equipes que prestam atendimento de urgência no pronto-socorro municipal, instrumentação e treinamento da guarda municipal para prevenir e coibir o dirigir alcoolizado, etc.

Foi pensando no estado e na sociedade organizada como moderadores do custo social do álcool que a Organização Mundial da Saúde recomenda uma série de estratégias para controlar esse produto, entre elas: aumento do preço proibição de propaganda nos meios de comunicação restrições às vendas em alguns locais e para alguns grupos sociais como adolescentes educação em saúde sobre os efeitos do álcool e organização de serviços para as pessoas com problemas. A própria OMS recomenda que deveríamos buscar estratégias de prevenção que alterasse de forma mais significativa os fatores que produzem os problemas relacionados com o álcool numa determinada sociedade.

Comparando com os outros países o que precisamos criar urgentemente é um sistema de controle local nos pontos de vendas do álcool. Isso poderia ser facilmente feito através da criação de um sistema formal de controle pela venda de licenças para comercializar esse produto.

Deveria haver um controle municipal dessas licenças, com vistas a levar em conta os seguintes parâmetros: 1 - O número de pontos de vendas na região. Existem evidências que quanto maior o número de pontos de vendas de álcool numa região, maior o consumo e maior a violência local. Deveria-se, portanto limitar o número de locais onde a venda do álcool fosse permitida 2 - Proximidade com escolas e outros locais onde crianças estejam presentes. Devemos proteger os membros mais vulneráveis da nossa sociedade com relação ao álcool e drogas. Todos os países desenvolvidos adotam esse tipo de proteção 3 - Nível de violência na região. Inúmeras pesquisas têm apontado para a relação de álcool e violência. É lógico que essa relação é complexa, mas com certeza controlarmos os locais mais relacionados com o beber e a violência é uma das formas de diminuirmos essa relação. Por exemplo, se um incidente violento ocorrer num bar, o comerciante deveria perder a sua licença, pois ele não estaria cuidando o suficiente do ambiente onde o álcool estaria sendo consumido 4 - Tipos de locais onde o álcool seria consumido. A maioria dos países adota como critério o fato de se o álcool seria consumido dentro ou fora do estabelecimento. Portanto um supermercado deveria ter um tipo de licença diferente do que um restaurante ou um bar. A conseqüência é que os preços dessas licenças seriam diferentes.

Um dos motivos de criarmos um sistema de licenças para vender bebidas alcoólicas é controlar esse mercado, mas, além disso, deveria servir para captar recursos para compensar a sociedade do dano social causado. Portanto deveríamos pensar em uma forma adequada para gerenciar os recursos captados. O dinheiro arrecadado por esse sistema deveria ser reservado para um fundo regional financiar ações de prevenção e tratamento em relação aos problemas originados pelo álcool e outras drogas. Temos uma grande escassez de dinheiro para financiar esse tipo de ações. Mesmo com a regionalização das ações de saúde através do SUS, muito poucos recursos estão sendo alocados para o tratamento do alcoolismo e praticamente nenhum recurso para a prevenção do uso de álcool e drogas pelos jovens. Essa seria uma boa fonte de recurso permanente para reverter esse problema social.

O primeiro passo é convencer a população que implementar esse tipo de sistema de licenças é: 1 - correto do ponto de vista técnico, pois é uma recomendação da própria Organização Mundial de Saúde 2 - teria um impacto grande e rápido no sentido de diminuir uma grande parte dos problemas relacionados com o álcool 3 - criaria recursos para financiar programas de prevenção dos problemas do álcool e outras drogas para os jovens.

O segundo passo é convencer os políticos de que um tipo de ação como essa é: 1 - politicamente adequada, pois é do interesse público 2 - tem o apoio popular 3 - possível de ser implementada nos municípios. O terceiro passo será proteger essas idéias da oposição da industria de bebidas e dos donos de bares e restaurantes. Nenhuma atividade econômica gosta da idéia de controle dos seus lucros e farão todo o lobby possível para evitar que esse tipo de medida seja implementado. A compensação social pelo dano ambiental que o álcool produz só será uma realidade quando convencermos a sociedade e o mundo político que controlar esse produto é uma garantia de que o bem comum deve prevalecer sobre o da indústria.


O modelo de intervenção proposto

Este anteprojeto sugere que a intervenção seja ampla, contemplando varias frentes de atuação, já que medidas isoladas têm efeito apenas temporário e sucesso apenas relativo. Nosso anteprojeto baseia-se no melhor modelo, segundo nossa opinião, existente na literatura especializada, modelo formulado por Harold D. Holder, e já amplamente testado através de diversos estudos conduzidos em diferentes culturas.

O modelo proposto por Holder é genérico e não considera possíveis diferenças regionais. Este anteprojeto está sendo apresentado também de forma genérica, sem considerarmos possíveis peculiaridades da comunidade de Paulínia tais especificidades seriam consideradas a partir da aprovação deste anteprojeto, quando dar-se-ia início a um estudo mais aprofundado da comunidade que receberia a intervenção. As especificidades da comunidade de Paulínia seriam consideradas a fim de se elaborar um projeto específico para esse município.

Antes da intervenção, faz-se necessário um inquérito epidemiológico rápido, por amostra domiciliar, que investigue os padrões de consumo de álcool da população em geral, sua percepção de risco, suas atitudes em relação ao álcool, etc.

Para melhor compreensão do modelo proposto, faz-se necessário o entendimento dos subsistemas envolvidos na questão do consumo do álcool. Para Holder, o sistema comunitário do álcool divide-se em diversos subsistemas que interagem entre si, e são agrupamentos naturais de fatores e variáveis que as pesquisas mostraram ser importantes na compreensão do uso do álcool e dos problemas relacionados. Para planejar prevenção efetiva dos problemas relacionados ao álcool, devemos considerar as interações entre esses subsistemas. O consumo do álcool é o subsistema mais importante, central ele afeta e é afetado pelos outros subsistemas. O gráfico a seguir ajuda a compreender melhor a interação ente os subsistemas:


O Subsistema do Consumo: o uso do álcool como parte da rotina da vida social

Este é o subsistema-chave. Padrões de consumo de álcool mudam com o tempo, e os efeitos das diferenças de idade e de gênero devem ser considerados também. Os padrões de consumo para cada grupo etário e gênero podem ser subdivididos de acordo com a média diária de consumo e a distribuição da quantidade de doses consumida por evento, que são influenciados por fatores como renda, preço do álcool, disponibilidade, aceitação social ou normas sociais acerca do consumo, e regulações formais do álcool, como a idade mínima para se beber. Quando esses fatores mudam, o efeito em cadeia das mudanças determina um novo valor para a média de consumo diária, resultando em uma mudança no padrão para cada idade e gênero e para a comunidade como um todo.


O Subsistema do Varejo: disponibilidade do álcool

O álcool, como qualquer produto comercial, torna-se disponível para os consumidores através dos pontos de venda do varejo, que podem ser licenciados (como lojas, bares, restaurantes) ou não (casas, estabelecimentos clandestinos, vendedores ambulantes, vendedores de beira de estrada, etc.). os estabelecimentos podem ter licença para a venda de álcool a ser consumido no próprio estabelecimento (bares, restaurantes) ou para ser consumido fora dali (supermercados, lojas de conveniência, lojas especializadas, etc). A quantidade e o tipo dos estabelecimentos licenciados para vender álcool em uma comunidade são afetados pelo tamanho da população, consumo per capita, e fatores econômicos (renda média da população).


O Subsistema de Controle e Regulação Formais: leis, administração, e fiscalização

Este subsistema reflete as leis e controles governamentais que regulam a venda de álcool no varejo. Por exemplo, restrições podem ser colocadas no número de novas licenças de um determinado tipo, ou nos dias e horas permitidas para a venda de álcool, como um meio de conter a disponibilidade de álcool. A força das leis e regulações são afetadas pelas fiscalizações efetuadas, e pela severidade das punições para as violações.


O Subsistema de Normas Sociais: valores da comunidade e influencias sociais que afetam o consumo

Este subsistema reflete os valores da sociedade acerca do álcool, e influencia os níveis de consumo através de reforçadores positivos ou negativos. "Reforço positivo" descreve o fenômeno através do qual o aumento no consumo de álcool ao longo do tempo está associado com o aumento da aceitação do consumo de álcool. "Reforço negativo" descreve o fenômeno pelo qual o aumento do consumo resulta em aumento dos problemas relacionados e, conseqüentemente, em diminuição da aceitação social.


O Subsistema das Sanções Legais: usos proibidos do álcool

Este subsistema organiza-se para reforçar as leis contra o uso do álcool em determinadas situações e contextos. Isto pode incluir dirigir alcoolizado, intoxicação pública, posse de álcool, beber antes da idade mínima, ou beber em lugares específicos (praças e parques públicos, estádios, auditórios, determinadas festas, etc.).


O Subsistema das Conseqüências Econômicas, Sociais e de Saúde: identificação dos problemas e respostas organizadas pela comunidade

As conseqüências do beber estão relacionadas neste subsistema. Mortalidade e morbidade relacionadas ao álcool refletem os riscos à saúde associados ao uso de álcool tais riscos variam em razão da idade, gênero, e grupo de consumo. Aumento da mortalidade/morbidade relacionada ao álcool podem estimular mudança da aceitação social e, conseqüentemente, mudança da regulação formal com o objetivo de reduzir o consumo ou comportamentos associados aos problemas causados pelo álcool. Este subsistema também responde à demanda por serviços sociais e de saúde para problemas relacionados ao uso de álcool. Este aspecto do subsistema relaciona-se com as informações acerca do número de pacientes, de serviços para tratamento, custos desses serviços, tamanho das listas de espera, e tempo médio do tratamento.


Interações entre os subsistemas

Conhecendo-se as interações possíveis entre esses diversos subsistemas, é possível planejar intervenções que possam, direta ou indiretamente, agir no subsistema de consumo. Este anteprojeto fundamenta-se nesta idéia (detalhar melhor). A seguir, apresentamos os principais componentes de prevenção a serem abordados nesta intervenção, e as estratégias utilizadas para se abordar cada um desses componentes, com base no modelo da interação entre os subsistemas propostos por Holder.



As áreas a serem abordadas

Serão cinco os componentes de prevenção abordados pelo projeto de intervenção:
• A mobilização da comunidade
• O acesso ao álcool
• O risco de dirigir alcoolizado
• A responsabilidade de servir bebidas
• O beber abaixo da idade mínima


A seguir, detalharemos como pretendemos abordar cada uma das áreas supracitadas.

A mobilização da sociedade:

A mobilização da comunidade é necessária por várias razões:
• Mudar o clima social de tolerância em relação ao uso do álcool.
• Promover apoio em relação aos outros quatro componentes de prevenção a serem adotados.
• Conferir solidez às políticas a serem implementadas, de tal forma que elas perdurem mesmo após mudanças de governo é necessário que a população "adote" as políticas implementadas e as reconheça como uma conquista legítima para que essas políticas permaneçam.

Para a mobilização da sociedade da forma necessária, comunicação de massa, como campanha publicitária, não basta. Estudos já realizados mostram que tal iniciativa, quando realizada isoladamente, não é efetiva em reduzir danos relacionados ao consumo do álcool. Comunicação através da mídia local é mais efetiva quando ocorre através de um veículo de alta exposição e elevada credibilidade do que através da mídia governamental ou de anúncios publicitários (matéria paga). A melhor maneira de mobilizar a sociedade para um projeto de intervenção como esse é através do marketing social


O marketing social

Trata-se do uso estratégico da mídia a fim de alavancar uma iniciativa de política pública. Ao contrario da educação em saúde ou de outros usos da comunicação pública, o marketing social geralmente não é usado para simplesmente mudar o comportamento individual diretamente. No entanto, indivíduos podem mudar seu comportamento como resultado da aquisição de novas informações presentes na atenção que a mídia dedica aos riscos relacionados ao álcool, por exemplo.

O marketing social compreende uma série de estratégias destinadas a promover o debate público de determinados temas pode-se conseguir atenção da mídia local para focalizar um problema específico relacionado ao álcool, para promover a importância de uma ou mais políticas projetadas para reduzir o problema, ou ainda para pressionar aqueles encarregados de efetuar determinada política ou de mudar políticas existentes.

O marketing social é realizado para atrair a atenção da mídia para determinado assunto através de atividades locais, realização de eventos, acontecimentos outros que a mídia pode cobrir. Isso pode incluir o fornecimento de dados acerca dos problemas que se quer destacar, ou das possíveis soluções que se deseja ganhem relevância. A idéia também é aumentar a cobertura que a mídia tradicionalmente dá a essa temática e direcionar a cobertura para os objetivos propostos.


A questão do acesso ao álcool

O acesso ao álcool pode ser regulado de varias formas. Uma das mais eficazes é através do preço. Em diferentes países ao longo da história, e em comparações de diferentes países em qualquer momento determinado, foi demonstrado que reduzir o preço real do álcool tende a aumentar o seu consumo global em uma população. Da mesma forma, as medidas que tornam o álcool mais facilmente acessível por meio da redução de restrições ao seu fornecimento também tendem a aumentar o consumo. Assim, as maiores influências sobre o consumo per capta numa população incluem fatores que podem ser manipulados politicamente - como taxação, leis de licenciamento e acordos comerciais. A manipulação dessas influencias pode ter um impacto imenso sobre o nível de consumo de álcool de uma população.

Um grande número de estudos sobre os efeitos de mudanças de preço no consumo tem sido conduzidos em uma ampla variedade de países, incluindo Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Quênia, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido e EUA. Alguns estudos observaram os efeitos diretos da mudança de preço nos níveis de dano.


As principais conclusões são:

• O álcool comporta-se como outras commodities - se o preço aumenta, o consumo cai, e se o preço cai, o consumo aumenta.
• Bebedores pesados e até mesmo dependentes são influenciados tanto quanto ou mais que os bebedores leves por mudanças de preço, contrariando o que usualmente se diz que altos preços penalizam apenas bebedores moderados e têm pouco ou nenhum efeito sobre bebedores pesados ou problemáticos.


O impacto de mudanças de preço em bebedores pesados é claramente visto nos seguintes exemplos:

Na Dinamarca, durante a Primeira Guerra, devido ao racionamento de comida, o preço da aquavit aumentou mais de 10 vezes e o preço da cerveja dobrou. Em dois anos, o consumo per capta de álcool caiu 75%, casos de delirium tremens caíram para 1/13 e mortes por alcoolismo crônico caíram para um sexto do índice anterior.

Em um estudo de "happy hours" - períodos de preços reduzidos em bares e restaurantes - enquanto todos os bebedores bebem mais quando as bebidas são mais baratas, os bebedores pesados aumentam o seu consumo proporcionalmente mais do que os bebedores leves, ou seja, são mais sensíveis à redução de preços.

Um estudo americano sobre os efeitos da variação de preços devida a mudanças nas taxas do álcool encontrou que altas taxas resultavam em menor mortalidade por cirrose e menores índices de acidentes automobilísticos fatais.

A idéia de que a taxação do álcool é irrelevante para a saúde pública é comprovadamente insustentável. A evidência é clara: outras variáveis mantendo-se inalteradas, o consumo de álcool por uma população será, em um grau significativo, influenciado pelo preço. Além disso, dado que tanto o bebedor leve quanto o pesado são influenciados, alterações no preço serão provavelmente traduzidas em mudanças na prevalência de problemas relacionados ao álcool.


Outras formas de regulação do acesso:

Disponibilidade

Facilidade do acesso aumenta o consumo e os danos, enquanto restrições ao acesso podem restringir o consumo e os danos. Um amplo espectro de pesquisas suporta esta conclusão. O acesso pode ser dificultado através da diminuição de pontos de venda, restrições de zoneamento, restrições do acesso de adolescentes aos pontos de venda, etc.


Densidade dos pontos de venda

Estudos na Finlândia, RU e EUA mostram que uma alta densidade de pontos de venda em uma certa localidade aumenta significativamente as vendas de álcool. Diversos estudam mostram que há uma relação ente densidade dos pontos de venda e problemas relacionados ao consumo do álcool, como violência, por exemplo. Pode-se regular a densidade dos pontos de venda através de leis específicas de zoneamento urbano e também através da implementação do sistema de licenças, que desestimula alguns pontos de venda a diminuição da densidade dos pontos de venda provoca uma diminuição da concorrência que, como efeito indireto, resulta em aumento dos preços nos estabelecimentos restantes o aumento dos preços resultante desse processo também contribui para a diminuição do consumo.


Horários de funcionamento e dias de funcionamento

Muitos estudos sobre mudanças nos horários de funcionamento e nos dias de venda mostraram aumento do consumo relacionado a horário mais amplo e redução do consumo com horário mais reduzido. Após a experimentação de fechar as lojas de bebidas aos sábados na Suécia, houve uma redução de 10% no número de prisões por embriaguez.

Achados similares ocorreram na Noruega e na Finlândia. Tanto os horários de funcionamento quanto os dias de funcionamento podem ser regulados através do sistema de licenças: por exemplo, o custo da licença pode ser um para os pontos de venda que vendem álcool apenas aos fins de semana e outro para os que vendem álcool todos os dias o custo pode ser um para os estabelecimentos que só funcionam durante o dia e outro para os que funcionam também à noite.


Idade mínima para beber

Redução da idade mínima para se beber resulta em maior índice de acidentes automobilísticos no grupo etário afetado pela alteração, enquanto aumento da idade mínima reduz tais acidentes.
Os EUA encontraram 28% de redução dos acidentes fatais após aumentar em um ano a idade mínima para se beber.


O risco de dirigir alcoolizado

Muitos dos problemas mais graves, e também mais freqüentes, relacionados ao uso do álcool decorrem de si dirigir alcoolizado: atropelamentos e acidentes automobilísticos em geral têm estreita relação com o consumo de álcool. A lei que proíbe dirigir alcoolizado já existe, mas devido a ausência de fiscalização sistemática torna-se ineficaz, como tantas outras. Para se fazer cumprir a lei é necessária uma policia treinada e equipada com instrumentos capazes de verificar in loco se o motorista encontra-se alcoolizado acima dos níveis permitidos pelo Código Nacional de Trânsito operações de fiscalização (blitze) devem ser implementadas de forma sistemática, principalmente no período noturno.



A questão de servir bebidas com responsabilidade


1. Treinamento de quem serve a bebida:

O treinamento em servir com responsabilidade tem se mostrado eficaz em reduzir os danos causados pelo álcool entre clientes que costumam sair dos estabelecimentos alcoolizados.
Uma pesquisa conduzida em Oregon em 1994 revelou uma redução estatisticamente significante nos acidentes automobilísticos após 55% dos que servem bebidas terem sido treinados.


2. Responsabilidade civil do proprietário:

A responsabilidade civil dos estabelecimentos que vendem bebidas a clientes alcoolizados está estabelecida em diversos países. É usada como uma reparação legal ao individuo cuja intoxicação tenha resultado em perda ou dano pessoal. Começa a ser utilizada como uma política para encorajar práticas seguras de se servir bebidas e para prevenir que se dirija embriagado.


Os setores envolvidos

• Poder executivo• Secretaria da Saúde
• Secretaria da Educação
• Secretaria da Criança e Adolescente
• Secretaria da Segurança
• Poder Legislativo
• Câmara dos Vereadores
• Setores organizados da sociedade civil
• ONGs
• Lideranças comunitárias
• Igrejas



O Cronograma

Segundo o modelo proposto por Holder, tal intervenção comunitária deve ser implementada em cinco etapas, cada uma das quais abordará as áreas acima de uma forma condizente com o andamento da intervenção como um todo sugerimos para isso um cronograma que segue em anexo.


Resultados

A avaliação do projeto será realizada comparando-se os dados fornecidos pela administração pública referentes aos danos relacionados ao consumo do álcool com os índices desses mesmos parâmetros obtidos após a intervenção comunitária proposta. Esperamos uma redução significante dos índices que permitem avaliar danos relacionados ao consumo do álcool na cidade de Paulínia. Tais índices serão aferidos em diversas etapas da intervenção, de tal forma que poderemos redireciona-la, se necessário, para contemplar áreas especificas que não estiverem sendo atingidas a contento através das intervenções planejadas de início.

         
         

RELATÓRIO FINAL - II LENAD

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Resultados do II LENAD

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