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Posicionamento da ABEAD sobre "A maconha: do uso medicinal à descriminalização"

Quinta, 12 Dezembro 2013 21:45

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Posicionamento da ABEAD sobre "A maconha: do uso medicinal à descriminalização"

São Paulo,13 de abril de 2004
Associação brasileira de Estudos de Álcool e Outras drogas ABEAD

Toda discussão envolvendo a maconha encontra defensores apaixonados e atacantes ardorosos. Poucos temas são tão polêmicos e com tão poucas evidências científicas de um lado ou do outro. Em 2001, o conceituado British Journal of Psychiatry publicou uma revisão originalmente comissionada pelo Departamento de Saúde Britânico, focalizando o perfil terapêutico da maconha e canabinóides (Robson, 2001). A partir dessa revisão, fica claro que o potencial uso medicinal da maconha carece de estudos com metodologia adequada. O autor sugere que a maconha tem ação antiemética e analgésica, além de diminuir a pressão intra-ocular, o que não pôde ser ainda demonstrado em outros estudos (IOM, 1999). Há evidência também de que possa produzir alívio sintomático e bem-estar geral em certas condições neurológicas e no quadro de perda de peso decorrentes da infecção pelo HIV e em certos tipos de câncer (IOM, 1999; Tramer, 2001). Uma ação anticonvulsivante foi reportada em poucos estudos, sem explicações claras sobre este achado (Grinspoon & Bakalar, 1993). Seus efeitos indesejáveis incluem sedação, intoxicação, tontura, boca seca, diminuição da pressão arterial e aumento da freqüência cardíaca. Um resumo de alguns efeitos adversos da maconha encontram-se na Tabela 1.
Robson ressaltou que a maconha é geralmente tolerada, mesmo em superdosagem. Como os tratamentos convencionais para algumas das condições mencionadas são insatisfatórios, apresentando elevada toxicidade e relativa ineficácia, conclui-se que vale a pena submeter aos rigores da pesquisa científica o potencial de substâncias canabinóides no tratamento dessas condições. Essas pesquisas são necessárias para quantificar efeito terapêutico e reações adversas, verificar potenciais interações e otimizar dose e via de administração, resultados ainda não alcançados, incipientes.
Outro autor importante na área de farmacologia de canabinóides, Leslie L. Iversen, ao discutir o uso medicinal da maconha conclui que embora haja claramente diversas indicações terapêuticas possíveis para medicamentos derivados da cannabis, para a maioria deles, a evidência da efetividade clínica é insuficiente pelos padrões atuais (Iversen, 2000). Uma classificação desta efetividade de acordo com a indicação terapêutica está descrita na tabela 2 (Earleywine, 2002; Swift & Hall, 2002; Holdcroft, 2002; Joy et al., 1999; Broom et al., 2001). Esse é um campo de pesquisa válido e necessário, mas que ainda não atingiu suficiente massa crítica para sua utilização em larga escala.

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RELATÓRIO FINAL - II LENAD

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