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Psicólogos nas escolas podem contribuir para prevenção do suicídio, aponta audiência

Quinta, 10 Agosto 2017 18:38

Senado Notícias

Sergio Vieira

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte realizou audiência pública nesta terça-feira (8) para debater a adoção de políticas públicas de prevenção do suicídio entre jovens por parte do poder público. Dados oficiais do Ministério da Saúde demonstram que tem aumentado nos últimos anos os casos de mortes por suicídio no Brasil, inclusive entre os jovens.

A audiência foi conduzida pela senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que manifestou seu apoio ao projeto que efetiva a presença de psicólogos nas escolas (PLC 76/2011) como um dos caminhos para combater casos de depressão entre adolescentes, que em situações mais graves acabam resultando em suicídio. O apoio à proposta também foi manifestado pelo senador Cristovam Buarque (PPS-DF) e pelo representante do Ministério da Educação (MEC), Felipe Felisbino.

Felisbino critica a tendência à medicação excessiva dos adolescentes que, segundo disse, o ministério tem percebido nos últimos anos. Esse fato, a seu ver, está relacionado à abordagem equivocada que prevalece no entorno dos jovens que sofrem de transtornos psicológicos sobre a maneira mais efetiva para que eles superem esta condição. Ele acredita ainda haver um desconhecimento na sociedade sobre o papel que uma abordagem mais técnica, com foco na Psicologia, pode ter na superação destes problemas.

- O que eu vivo nas escolas é a recomendação para que esses jovens tomem Ritalina, depois de irem a um neurologista. Sou a favor da presença de psicólogos nas escolas, que a meu ver têm condições melhores de encaminhar um tratamento com base num diagnóstico, inclusive se se trata de uma questão clínica - afirmou Felisbino.

O representante do Ministério da Educação ainda informou que o Portal do Professor, na página do ministério na Internet, está sendo reestruturado. Esta nova versão contará com uma capacitação transversal de temas dentro da interface saúde/educação, inclusive de prevenção ao suicídio e do combate ao abuso de álcool e outras drogas por parte dos adolescentes.

Felisbino ainda confirmou que conteúdos voltados à prevenção ao suicídio estarão presentes de maneira transversal em diversas matérias do ensino básico na nova Base Nacional Comum Curricular. Respondendo a Marta Suplicy, ele ainda informou que a pasta encaminhará cursos presenciais de formação na interface saúde/educação para os professores, com enfoque na nova Base Nacional Comum Curricular.

Apoio da mídia

Marta Suplicy também comunicou, na reunião, a confirmação do apoio da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) à Semana de Prevenção ao Suicídio, em que cai o dia 10 de setembro, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para que se estimule a reflexão sobre este tema.

A senadora considera o apoio da Abert como "algo muito relevante", e também elogiou a intenção manifestada pelo Ministério da Saúde, durante a audiência, de buscar uma abordagem mais direta e sem tabus em torno do suicídio.

- É de grande relevância, e é perfeitamente possível, abordarmos o tema do suicídio com cuidado, sem sensacionalismos e valorizando a vida - disse Marta Suplicy.

Tanto ela quanto os representantes dos Ministérios da Saúde e da Educação manifestaram apoio à aprovação do PLS 163/2017, que institui no Brasil a Semana de Valorização da Vida.

Números

Cheila Marina de Lima, representante do Ministério da Saúde, confirmou que o suicídio é hoje a quarta maior causa de mortes por razões externas no Brasil, com mais de 11 mil óbitos em 2014 (dados mais recentes). Entre os indígenas, o suicídio lidera esta estatística, tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

Também segundo os dados de 2014, houve outras 14,3 mil tentativas de suicídio que não se concretizaram, sendo neste caso a maioria de mulheres. Para Cheila, estes números, entre outros, são um indicativo de que o tema precisa ser abordado como prioridade em no país, uma vez que muitos dos que tentam se suicidar recaem em novas tentativas, segundo demonstram levantamentos oficiais.

- Não temos dúvida de que estratégias de prevenção podem poupar muitas vidas, tanto no âmbito da intervenção direta na área da saúde quanto por meio da conscientização preventiva por parte dos meios de comunicação - disse.

As estatísticas oficiais também demonstram que mulheres que sofreram violências e abusos como estupro ou espancamento apresentam taxas de suicídio e de tentativas de suicídio 30 vezes superiores à media geral. Por isso a pasta recomenda que as campanhas de conscientização sejam focadas, com conteúdo específico direcionado para as mulheres, aos idosos e aos adolescentes, entre outros grupos sociais.

Também esteve presente à audiência o presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio (Abeps), Humberto Correa. Ele também acredita que uma maior conscientização em torno do suicídio poderá beneficiar milhões de famílias no país, uma vez que o pouco espaço ainda dado ao tema resulta, entre outras consequências, em minguadas dotações orçamentárias a políticas públicas relacionadas ao tratamento de suicidas, ou para as campanhas de prevenção.

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