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Maconha: legalizar jamais!

Sábado, 21 Junho 2014 21:00

Por que optar por um caminho que oferece tantos riscos?

Por Adriana Moraes

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A polêmica sobre o uso da maconha tem sido alvo de muita atenção pela mídia, bem como na área científica em geral. Profissionais da saúde estão unidos contra a possível legalização, lutando em benefício da saúde.

Destaco a batalha da Dra. Ana Cecília Roselli Marques, psiquiatra da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo em 01/02/2014 a Dra. Ana Cecília explicou que:

“Estudos mostram que, além da dependência, o uso crônico produz bronquite crônica, insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e de pânico e, também, um comprometimento do rendimento acadêmico e/ou profissional. Por que optar por um caminho que oferece tantos riscos?”

A maioria dos usuários de maconha encontra-se no estágio da pré-contemplação, ou seja, o usuário não encara seu uso como problemático ou causador de problemas, tampouco considera algum tipo de mudança. Em geral, não busca tratamento voluntariamente, e sim por causa dos pais, família, escola, trabalho ou por encaminhamento judiciário. [1]

O indivíduo nesse estágio acredita estar imune ás consequências adversas, por exemplo, acha que não se tornará dependente ou que tem controle sobre o uso, sabemos que não existe esse controle no tocante ao uso de drogas.

Uma série de estudos indica que a potência desta droga vem aumentando e, com isso, causando maiores prejuízos à saúde mental daqueles que a consomem.

A maconha é a substância proibida por lei mais usada em nosso país. Cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil. O dado faz parte do II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), primeira amostragem sobre o consumo da droga no Brasil.[2]

Segundo o estudo, 3,4 milhões de pessoas entre 18 e 59 anos usaram a droga no último ano e 08 milhões já experimentaram maconha alguma vez na vida, o equivalente a 7% da população brasileira. Desses, 62% deles tiveram contato com a droga antes dos 18 anos e 01 em cada 10 adolescentes que usa maconha é dependente.

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 Estes dados parecem sugerir que a disponibilidade da maconha esteja crescendo, inclusive entre os jovens, que vem utilizando esta substância de forma compulsiva, apesar dos efeitos nocivos à saúde.

A adolescência é um período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes. No entanto, fatores como o uso de drogas podem transformar o adolescente em um adulto problemático com sequelas irreversíveis para o desenvolvimento de sua vida futura.

O consumo de drogas nesta fase pode trazer sérias consequências físicas e/ou psíquicas para o desenvolvimento, como déficits cognitivos, problemas físicos, psicológicos, envolvimento em acidentes e infrações.

O uso da substância psicoativa faz com que o indivíduo sinta uma diminuição do perigo relacionado ao problema a ser enfrentado.

O uso da maconha muitas vezes começa a ser associado a várias situações pelas quais o indivíduo passa, se ele está nervoso fuma; se está tenso fuma para relaxar, se sente depressivo fuma, se tem um problema fuma antes de pensar em tentar resolvê-lo e assim por diante, tornando assim cada vez mais dependente. [3]

Os que são favoráveis à legalização, pensam apenas na figura do usuário, mas, devemos pensar nos motivos sociais que levam à essa proibição legal, como, por exemplo, impedir que os efeitos do uso nocivo à saúde que causam a dependência cheguem com mais facilidade aos nossos adolescentes.

No entanto, é importante considerar que além do risco da dependência, da síndrome amotivacional, dos efeitos agudos e crônicos causados pelo uso da maconha, com a sua legalização provavelmente teremos muitos problemas parecidos com os causados pelas drogas lícitas (aquelas permitidas pela Lei), o álcool e o tabaco, cito como exemplo, o aumento dos acidentes de trânsito causado por pessoas sob efeito da substância.

Vale destacar ainda que o uso de drogas não prejudica só o dependente, é um problema que atinge toda família, a dependência química tem um poder destruidor sobre a vida dos familiares.

Para finalizar, sabemos que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, entre elas o crack. A maconha é uma erva, mas, uma erva perigosa, que deve continuar sendo proibida. Ao invés de criar uma possível solução, legalizar seria gerar um novo e gravíssimo problema, legalizar jamais!

Adriana Moraes – Psicóloga Especialista em Dependência Química - Colaboradora da UNIAD.

Referências:

[1] Integração de competências no desempenho da atividade judiciária com usuários e dependentes de drogas/ organização de Paulina do Carmo A. Vieira Duarte e Arthur Guerra de Andrade. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2011;

[2] Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas. IILENAD: Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. São Paulo: UNIFESP, 2012;

[3] http://www.uniad.org.br/desenvolvimento/index.php/ensino/tccs/18156-a-importa-ncia-da-terapia-cognitivo-comportamental-no-tratamento-psicolo-gico-do-usua-rio-de-maconha-uma-revisa-o-da-literatura

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RELATÓRIO FINAL - II LENAD

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Resultados do II LENAD

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