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Número de dependentes que procuram tratamento dobra em SP

Quarta, 06 Fevereiro 2013 19:08

Jornal Nacional

Pelo novo sistema, usuário pode até ser internado contra sua vontade. Mas, na prática, o que mais se viu foi movimento espontâneo de procura de ajuda.

A mudança que o estado de São Paulo promoveu há 15 dias na forma de tratar pessoas viciadas em crack produziu um efeito imediato. Pelo novo sistema, um usuário da droga pode até ser internado contra a própria vontade. Mas, na prática, o que mais se viu foi um movimento espontâneo de procura de ajuda.

Os dois irmãos adolescentes tomaram contato com as drogas quando ainda eram crianças. “Quatro anos fumando crack. O meu irmão me viu fumando e quis experimentar também, e entrou também nessa vida”, lembra um deles.

O pai descreve o sofrimento: “Eu passo madrugadas atrás deles. É sair fora de casa, com quatro dias, que eles vão voltar. Sai bem bonito, bem arrumado. Volta todo maltrapilho, naquele estado, sabe, lamentável”.

Ele conseguiu uma nova chance para os filhos. Os garotos passaram por uma avaliação médica e vão ser internados.

“Eu pretendo mudar de vida, que isso não é vida para ninguém”, destaca um dos irmãos.

Desde o final de janeiro, a rotina em um prédio do centro de São Paulo mudou bastante. De 30 dependentes de drogas por semana, ele passou a receber quase o dobro, por dia. Todos a procura de tratamento.

Irene Resende convenceu o irmão que usa drogas desde os 9 anos a procurar ajuda médica. “Ele foi na minha casa. Ele falou que ele estava nas últimas. Aí eu resolvi ajudar e trazer ele para cá”, conta Irene.

Um pedreiro foi trazido por desconhecidos depois de passar mal na rua. Usuário de crack há dois anos, ele aceitou o tratamento. “Vou cuidar da minha família. Vou começar a ajudar os meus filhos. Meus filhos precisam de mim, eles estão precisando da minha ajuda”, diz ele.

O que atraiu tanta gente para lá? Foi a divulgação de que atrás das portas estariam reunidos Ministério Público, Justiça e profissionais da saúde capazes de garantir atendimento aos dependentes de drogas, inclusive do plantão que autoriza internação compulsória, aquela contra a vontade do usuário. Mas esses são casos excepcionais. Tanto que, por enquanto, nenhuma internação compulsória foi feita. Mas 90 dependentes já começaram o tratamento por vontade própria ou da família.

A coordenadora de Álcool e Drogas da Secretaria Estadual da Saúde, Rosângela Elias, lembra que esse é só o início de uma batalha que não se ganha sozinho: “A internação não é a garantia de uma abstinência. A reinserção é que vai dar essa garantia de um melhor desempenho. A família é fundamental nesse processo. A família, apoiando esse projeto terapêutico que será construído de tratamento, ajudando na reconstrução dos sonhos e da história dessa pessoa”, destaca a coordenadora do serviço.

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RELATÓRIO FINAL - II LENAD

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